O Mycujoo é sem dúvida uma das start-ups portuguesas do momento. Tendo transformado a impossibilidade de um dos fundadores em ver os jogos do despromovido Boavista num negócio internacional, o Mycujoo transmite em streaming milhares de jogos de ligas inferiores por todo o mundo. Tendo fechado em Março uma ronda de financiamento de 3,7 milhões de euros, o Mycujoo tem escritórios em Amsterdão, Singapura e Lisboa, onde está instalado no LACS. Falámos com Ricardo Presa, country manager de Portugal e irmão dos dois fundadores.

O teu trabalho em três palavras?
Futebol, dedicação e paixão.

A melhor coisa do teu trabalho?
Poder trabalhar com futebol, que é uma coisa que sempre gostei!

Descreve um dia típico no trabalho?
Chego cedo ao escritório, por volta das 9h00 ou até antes dependendo dos dias, tento elaborar um resumo antes da semana para ver o que tenho para fazer. Neste momento estou a gerir o escritório em Portugal, mas estou também ligado ao ‘business development’ da Mycujoo e ao que estamos a construir no mercado nacional. Tento dividir o meu dia em várias etapas, incluindo o que precisamos para o escritório, os nossos colaboradores e tudo o resto que está relacionado com o desenvolvimento de negócio. Infelizmente tenho de ir a muitas reuniões, que tento que sejam objectivas, para não perder muito tempo do dia.

Ouves música enquanto trabalhas? 
Ouço música quando tenho de me concentrar ou de redigir contratos, normalmente puxo música clássica ou mais calma, senão sou fã de rock em geral!

Como nasceu o Mycujoo?
De uma ideia do João e do Pedro Presa, que na altura (o Pedro) era adepto do Boavista, clube que tinha descido de divisão, e não havia como ele seguir os jogos do clube. O Pedro começou a fazer uma pesquisa na internet e tentar perceber o que se passava no mercado, mas nem um relato conseguia ouvir muitas vezes. No fundo começou pela necessidade de distribuir e visualizar conteúdo menos profissional ou amador. O nome Mycujoo vem de criarmos televisões personalizadas para as entidades de futebol daí o ‘My’ e ‘Cujoo’ vem da palavra Cuju, que é origem do futebol reconhecida pela Fifa, um desporto praticado na China durante a dinastia Han pelos militares e classe alta.

Se tivesses que escolher o melhor jogo que viste no Mycujoo, qual seria?
Já vi tantos jogos, mas foi há pouco tempo. Desde finais entre Sporting e Benfica no Torneio da Pontinha. É giro ver miúdos com apenas 12 anos jogarem como adultos, porque têm uma noção táctica incrível, mais apercebi-me que são hoje jogadores que estão a entrar nos planteis principais das equipas. Já vi jogos muitos bons do Braga B, mas este fim de semana vi um que gostei muito, a meia final do Campeonato de Portugal, a 3ª divisão, da qual nós transmitimos 21 equipas. O Leiria é um dos nossos parceiros há algum tempo e foram às meias finais, mas perderam com o Mafra. Foi muito emocionante, parecia um jogo da Primeira Liga!

O que mais gostas na comunidade LACS?
A equipa do LACS recebeu-nos muito bem, são pessoas muito simpáticas e sempre se mostraram disponíveis para nos ajudar em tudo. O LACS tem a vantagem de agregar um grupo de pessoas com um objectivo comum, são start-ups, empresas de media ou multimédia com dinâmicas interessantes e aceleradas. Aqui ao lado está o Rock in Rio Lisboa, que se vê que é um projecto de grande intensidade e nós identificamos-nos com isso porque temos uma enorme actividade todos os dias também devido ao volume de trabalho e ao número de parceiros que temos. O grupo de empresas que estão no LACS foi muito bem escolhida e houve uma selecção criteriosa nesse sentido. No nosso caso específico, nós somos 6 agora e vamos ser 11 ou 12 até ao final do ano e permite-nos ter um sentido de comunidade aqui dentro. Em Amesterdão temos um escritório maior, são mais de 40 colaboradores e aí temos a nossa própria comunidade e as pessoas interagem entre si. Com 11 elementos, todos se dão bem, mas ao mesmo tempo tens as outras empresas com as quais podemos trocar ideias, o aspecto comunitário do LACS é o que gostamos mais.

Quando eras criança o que querias ser?
Médico como o meu pai. Rapidamente deixei de querer porque tinha uma vida demasiado intensa e acabei por desistir dessa ideia.

O teu primeiro emprego?
Foi como engenheiro civil, actividade que tive durante 6 anos.

Um conselho que darias ao teu eu mais novo?
Nesta fase diria que não deveria ter estado tanto tempo em engenharia civil, aprendi bastante no entanto porque me deu uma bagagem muito grande em termos de capacidade de trabalho e de gestão, que é o que eu mais utilizo hoje em dia.
Tirei um MBA, cursos que não sei se são bem vendidos, porque é muito forte no networking e para mim não o trocava por nada deste mundo, mas se calhar a universidade em si não a tinha frequentado ou acabado, porque para se ter sucesso hoje não é preciso ter uma licenciatura. Penso que podia ter aproveitado e aprendido muito mais se me tivesse dedicado a algumas escolas de negócio que há nos Estados Unidos, focadas em empreendedorismo e em start-ups, se calhar teria feito isso porque sempre foi uma coisa que gostei.

Uma pessoa que te inspire? e porquê?
Claramente o meu pai, porque foi quem me deu todas as bases daquilo que eu sou hoje. O meu pai era muito profissional e responsável, essas bases são as que me trouxeram até onde estou e essenciais para se ter sucesso.

Qual o segredo para o sucesso?
A dedicação é fundamental, temos de dar sempre tudo o que temos. Ser profissionais, humildes e claro o termos respeito pelo próximo, é das coisas mais importantes que temos sempre de ter presente, porque se queremos ser respeitados temos de saber respeitar os outros.

Conselhos para quem está agora a começar?
Quando começamos a trabalhar não nos apercebemos tanto do que podemos tirar daquilo que estamos a fazer, queremos muito viver o momento. Quando comecei, olhava muito mais ao que vou fazer, o que vou receber, não pensava a médio-longo prazo, o que iria ser a minha vida e carreira no futuro. Temos de investir pessoalmente e profissionalmente naquilo que pode ser melhor para nós, ter um objectivo de vida, onde queremos chegar e com isso dar passo a passo e ir aprendendo em cada trabalho e ganhar experiência. Temos de aproveitar bastante, porque ao sermos profissionais vamos sempre retirar alguma coisa boa de cada situação.

Locais favoritos em Lisboa?
O Chapitô, o Jardim da Estrela e o miradouro da Graça, é muito especial.